quarta-feira, 28 de abril de 2021

Carta aberta ao governo do Estado de São Paulo e aos deputados estaduais da ALESP

   ASSOCIAÇÃO DE PROFESSORES/AS DE FILOSOFIA E 

FILÓSOFOS/AS DO ESTADO DE SÃO PAULO

 




Carta aberta ao governo do Estado de São Paulo

e aos deputados estaduais da ALESP


    Prezados/as senhores/as autoridades de nosso Estado

    Por “lockdown”, auxílio emergencial estadual e vacinação para todos/as!


    A pandemia de COVID-19 atinge sua pior fase no Brasil, atingindo mais 350 mil brasileiros e brasileiras mortos pelo vírus no país. A média de mortes tem batido recordes diários e atinge o assustador número de quase mais 4 mil pessoas mortas por dia. Cientistas afirmam que a forma mais eficaz de conter a capilaridade do vírus é praticando o “lockdown”, ao mesmo tempo em que devemos avançar com urgência na aplicação das vacinas num maior número possível de pessoas, e com auxilio emergencial complementar pelo governo do Estado em parceria com as prefeituras para socorrer a população carente, desempregada e faminta.

    Em todo país, o sistema de saúde entrou em colapso. Faltam leitos hospitalares, oxigênio, anestésicos, profissionais da saúde e acolhimento humano aos familiares em agonia, sem notícias dos internados. Não há mais capacidade de atender todos os doentes e muitos já morreram sufocados aguardando no corredor da morte uma vaga na UTI! Além da falta de leitos nas enfermarias e UTIs, começam a faltar profissionais especializados no atendimento emergencial, faltam também medicamentos e insumos básicos, o que agrava ainda mais a situação. A vacinação em massa, que poderia estar salvando milhares de vidas, continua sofrendo com a falta de gestão eficiente e responsável do (des) governo genocida de Jair Bolsonaro e a politização, por João Dória, do combate à pandemia através do “Boitantan” e sua Butanvac. Precisamos de vacinas já e não promessas eleitoreiras, sejam dos governos estaduais como do federal.

    Dirigido por um presidente negacionista e genocida, o país vive uma crise econômica, social e política sem precedentes. Essa crise atinge todos os estados, em especial o Estado de São Paulo; e por ser o Estado mais rico da federação, com a maior rede hospitalar, é inconcebível um número tão alto de infectados e mortos a ponto de contratarem transportes de estudantes para transportar corpos de vítimas da Covid-19. A cena de enterros noturnos nos cemitérios é triste e assustadora!

    A situação da população mais pobre do Estado é ainda mais grave. Mas, mesmo diante da crise sanitária e social, o governador Dória decidiu fechar programas sociais que contribuíam como renda para população; confisca também os rendimentos dos funcionários públicos aposentados, além de outras mazelas características da gestão do PSDB em nosso Estado e no país. Não podemos aceitar a destruição de políticas de assistência, dos direitos trabalhistas conquistados com muita luta em nossa história, ainda mais quando a população enfrente essa terrível pandemia.

    O negacionismo, o desemprego e a falta de uma renda mínima são catalisadores de uma tragédia social e humanitária em curso. É preciso organizar urgentemente ações em nível estadual, regional e municipal, pois com a suspenção do auxílio emergencial em janeiro deste ano e a retomada parcial agora no valor R$250,00 não retira milhões de brasileiros e brasileiras da miséria profunda em que se encontram, cuja reações serão imprevisíveis e catastróficas. Será que o (des) governo Bolsonaro está querendo um motivo para decretar medidas de exceção? Sabemos que isso é totalmente inviável, mas sabemos também que Bolsonaro apostar no caos desde o início ao negar o tempo todo a gravidade da pandemia, ter atitudes irresponsáveis que agravaram a situação e medidas que não foram tomadas a tempo para impedir o quadro a que chegamos com o colapso do sistema de saúde público e privado.

    O novo "auxílio” em média de R$250,00 que o governo federal propôs e o Congresso aprovou está muito aquém de garantir as condições mínimas de sobrevivência, para que a maioria da população consiga se proteger do vírus enquanto se mantém em isolamento; mesmo porque essa mísera importância só começa a ser paga agora em abril, sendo que milhões de brasileiros - homens, mulheres, crianças, idosos – já se encontram abaixo da linha da pobreza há muito tempo e já passa fome. E as campanhas de combate à fome não irão resolver este sério problema, apenas minimizá-lo!

    Tal aplicação da necropolítica como parte desse necrocapitalismo da exploração e da morte é uma ação abjeta de governantes genocidas que naturalizam o estado de barbárie que estamos vivendo. Investir no atendimento à saúde e na proteção social é um direito dos contribuintes e uma obrigação do Estado. Concomitantemente, acompanhamos a Assembleia legislativa gastando em propaganda num momento em que se alega fundamentalmente a escassez de recursos orçamentários. O Executivo, o Judiciário e os deputados/as, vereadores/as, vivem num mundo nababesco, ignorando as populações periféricas, patrocinando, num conluio hipócrita, essa matança infindável. Tirem suas nádegas das cadeiras a façam alguma coisa de positiva para a população que os elegeram!

    No tocante à educação, a última muralha ética em defesa da vida, educadores ensinam e aprendem com as condições adversas dos educadores e educandos. Infelizmente, temos uma persona non grata na educação que é o secretário Rossieli Soares o qual em plena pandemia debocha da vida e do sofrimento alheios na medida em que toma medidas que empurram educadores, educandos e comunidade no tétrico corredor da morte que vem se abrindo no Estado de são Paulo. Devemos desenvolver uma campanha urgente pelo “Fora Rossieli”, inimigo da vida e da educação em nosso Estado. Conclamamos os educadores/as, estudantes e comunidade escolar para não permitir que façam ainda mais da educação um laboratório da morte. Somos pela vida em primeiro Lugar.

    Pelo exemplo de Platão e Marx, não podemos nos dar o luxo de ficarmos inertes em nosso mundinho, presos no fundo de uma caverna de ilusões e falsas seguranças, indiferentes a tudo e a todos. Precisamos lutar, organizar para transformar o mundo que herdamos e deixaremos para os que virão.



São Paulo, 13 de abril de 2021.



DIRETORIA DA APROFFESP (2018 – 2021)

 

Associação dos/as Professores/as de Filosofia e Filósofos/as do Estado de São Paulo

Presidente: Lúcia Martins Peixoto - Caieiras, SP

Vice-Presidente: Anízio Batista de Oliveira - J. Maria Estela, São Paulo, SP.

Secretário: Valmir João Schmitt - Jaraguá - São Paulo, SP.

Primeiro Secretário: Alvira Soares Reis -  V. Santa Teresa - São Paulo, SP

Tesoureiro:  Sônia Maria de Almeida – J. Vergueiro, Saúde, SP.

Primeiro Tesoureiro: José de Jesus Costa – Osasco, SP.

Diretor de Comunicação e Propaganda: Jadir Antônio da Silva – V. Mariana, SP.

Diretor Adjunto de Comunicação e Propaganda:  Marcos R. Ferreira – J. Guarani, São Paulo, SP.

Diretor de Políticas Pedagógicas: Francisco P. Greter – Lapa, São Paulo, SP.

Diretor Adjunto de Políticas Pedagógicas:  Ivo Lima dos Santos – V. Continental, São Paulo, SP.

Diretor Articulador das Ciências Humanas e Currículo: Ronaldo Gomes Neves - Diadema, SP.

Diretor de Relações Sociais e Movimentos Sindical: Aldo J. dos Santos – S. Bernardo do Campo, SP.

Diretor Organizativo da Capital:  Ocimar Freitas - Suzano – SP

Diretora Organizativa da Grande São Paulo:  Lúcia Ap. Denardi, São Bernardo do Campo, SP.

Diretor Organizativo do Interior: Ademir Alves de Lima - São José dos Campos, SP.

Diretor Adjunto Organizador do Interior: Odair Salomão, São José do Rio Preto, SP.

Diretor de Relações Acadêmicas: Marcos da Silva e Silva - Santo André, SP.

Diretora Adjunta de Relações Acadêmicas: Luanda G. dos Santos Julião – Sacomã, São Paulo, SP.

 

 

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domingo, 20 de setembro de 2020

Repudiamos agressões aos professores e professoras: Bolsonaro agride professores em sua “live” diária!

Bolsonaro agride professores em sua “live” diária!


    O presidente Jair Bolsonaro, em sua "Live" de sexta-feira (18/09/2020), ataca os sindicatos dos professores/as e indiretamente fala que os/as professores não querem trabalhar, desconhecendo o funcionamento das entidades do magistério que democraticamente aprovam suas decisões em Assembleias soberanas. Ora, a maioria dos professores/as, bem como das famílias dos alunos, é contra a volta às aulas no atual estágio da pandemia do coronavírus no Brasil! Aliás, se o platô do contágio e das mortes tem permanecido num patamar elevadíssimo, com aproximadamente mil mortes diárias, colocando o Brasil em 2° lugar no ranking das mortes (com mais de 135.000 até ontem) entre todos os países do mundo, é justamente porque o governo federal e as atitudes negacionistas do próprio presidente têm dificultado o combate ao coronavírus; o Ministério da Saúde está no seu terceiro ministro, que foi efetivado nesta semana, tendo permanecido como interino durante três meses. E o que o senhor Pazuello fez durante esse tempo? Praticamente nada! Com Mandetta e Teich, Bolsonaro exigiu medidas contra as recomendações da OMS, como o uso da tal Cloroquina, atacava governadores e provocava aglomerações sem o uso de máscara. Ambos os ex-ministros não aceitaram essa medida e por isso o primeiro acabou demitido e o segundo pediu demissão depois de um mês no cargo; ambos eram médicos renomados. Já o general Pazuello faz tudo o que Bolsonaro quer, e por isso foi confirmado no cargo. Isto demonstra uma clara opção pela necropolítica do presidente, com a chancela institucional do cargo que ocupa, com a concordância de milhares de militares que foram contratos pelo governo e se locupletam em cargos alheios à sua função principal.

    Agora vem o presidente atacar os nossos sindicatos e a nós professores por que "não queremos trabalhar"? Por acaso não estamos trabalhando nessa pandemia, muitas vezes sem as mínimas condições e recursos? Por acaso somos vagabundos? Ora, vagabundo então é quem, durante vinte oito anos como parlamentar, nada de importante fez aprovar em benefício do povo brasileiro. Bolsonaro não tem moral para atacar os professores/as e nossas Associações, nem como presidente irresponsável, nem como parlamentar relapso que foi, nem como militar exonerado do Exército por organizar ações ao arrepio da lei! Expressamos aqui o nosso repúdio veemente contra mais esse ataque deste senhor que não honra o cargo que ocupa!!! 


São Paulo, 20 de setembro de 2020.

APROFFESP & APROFFIB

sábado, 5 de setembro de 2020

01 “LIVES NA LUTA” - O GOVERNO DÓRIA/ROSSIELI IMPLEMENTA A NECROPOLÍTICA

 Dia 07 de setembro - 17 horas! 


Participe da transmissão ao vivo (“live”) com professores/as da rede estadual sobre a tentativa de volta às aulas do governo João Dória/Rossieli Soares.

Nós, professores/as da APROFFESP & APROFFIB vamos participar de importante atividade no dia dos excluídos, e na data da Independência do Brasil, conversando sobre a situação da educação e da escola pública dentro do contexto da pandemia em nosso Estado, no Brasil e no mundo.

Sabemos que as tentativas de volta às aulas, inclusive com pressões e ofertas de bônus (“bônus funeral”) por parte do governo obedecem à lógica empresarial que pressiona João Dória a facilitar a retomada plena da economia, o que supõe fazer as crianças e adolescentes retomarem as aulas, não importando com a curva da pandemia que continua altíssima em número de novos casos e mortes! E todos sabemos que as escolas, principalmente as do Estado, não têm as mínimas condições de garantir o protocolo exigido pelas autoridades da Saúde. Todavia, em seu teatro aparentando seriedade, o governo Dória/Rossieli explica, fala bonito, fornece uma infinidade de dados e estatísticas, mas com um único objetivo: reabrir as escolas, pois esta é a lei do mercado: o lucro, ainda que vidas sejam ceifadas como as mais de 122 mil já o foram.

Vamos debater essas questões relacionadas à educação, como também o EaD, a retirada de direitos dos trabalhadores, dos funcionários públicos, dos aposentados, das subcategorias, da violência contra os excluídos, principalmente as mulheres e os negros das periferias, cortiços e “comunidades”!

Participarão desta atividade o Deputado Estadual do Psol Carlos Giannazi, Professore Aldo Santos na mediação dos trabalhos, Professor Dr. Marcos Silva, Professora Soninha, Professor Chico Gretter, professor Ocimar Freitas, Professor José de Jesus e Anísio Batista. A Aproffesp toma partido ao lado da vida, da educação e da dignidade humana.

Venham participar e conversar conosco neste dia 07 de setembro, 17 horas, para que realizemos de fato a real Independência do Brasil e dos/as brasileiros/as!

 APROFFESP/APROFFIB






quarta-feira, 5 de agosto de 2020

NOTA DA APROFFESP





ASSOCIAÇÃO DE PROFESSORES/AS DE FILOSOFIA E FILÓSOFOS/AS DO ESTADO DE SÃO PAULO





Nota contra as reformas  neotecnicistas do governo João Dória:
                      o ataque à Filosofia e ao Currículo formativo 

Uma escola em tempo integral não é o mesmo que uma escola de formação integral!


            O governo João Dória, como já era esperado, apresentou de forma autoritária várias reformas para a rede estadual de ensino e que poderão ter consequências funestas para a carreira dos professores, para a formação de nossos jovens e para o currículo em geral. A Filosofia, no rol das disciplinas formativas, certamente será uma das principais prejudicadas e nós da APROFFESP não poderíamos ficar calados; vejamos o que poderá acontecer.
            Com uma reforma denominada “Inova Educação”, há dois projetos que pretendem colocar em prática tais “inovações” através de duas vias: o PEI – Programa de Escola Integral e o “novotec”, com quatro modalidades. Esses projetos aparentemente novos não passam de novos nomes que são dados aos antigos objetivos dos governos tucanos que tentam implantar a sua política neoliberal e privatista dos espaços públicos, nesse caso, da escola pública paulista. A isto nós chamamos de “painel de velhas novidades”, parodiando a canção de Cazuza “O tempo não para” com a linda metáfora: “Eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades, o tempo não para, não para...”
            Quantas reformas o PSDB/PMDB vêm fazendo desde o início dos anos 90 – lembram da “Escola Padrão”, da “Progressão Continuada” = aprovação automática, das “Salas Ambientes da secretária Rose Neubauer??? O que melhorou na qualidade de ensino da escola pública? Houve melhoria na carreira e nos salários dos professores, funcionários, educadores em geral? Não, não houve, ao contrário, o que aconteceu foi uma piora e desvalorização crescente da carreira dos educadores e no aprendizado dos alunos/as da escola estadual. Por quê?
            Não houve melhora simplesmente porque os neoliberais não estão de fato preocupados com a melhoria da educação pública, nem com a carreira dos professores/as, pois suas preocupações são privatistas e voltadas para o mercado de trabalho e satisfação das necessidades imediatistas do mundo empresarial; e por isso mesmo sempre apostam no que denominamos neotecnicismo que tenta repetir como farsa as reformas do regime militar com a Lei 5.692/71, a mesma política que jogou a qualidade de ensino, a carreira e os salários dos/as professores/as aos níveis que vemos hoje, principalmente no Estado de São Paulo, o 18° pior salário do país, que não cumpre o 1/3 Jornada do Piso e não paga o PSPN, descumprindo a Lei federal implantada em 2009!
            Desta forma, elencamos aqui algumas críticas que apontam para os pontos negativos dos “novos” projetos do atual governo João Dória que nos colocam na resistência a essas reformas que são uma farsa bem arquitetada para terceirizar o currículo, as disciplinas e os espaços da escola pública, piorando ainda mais a qualidade do ensino e o aprendizado dos jovens:
- Ao oferecer um reajuste de 75% sobre o salário, é bom lembrar que isso não é incorporado e o professor/a perdem os benefícios que tem um cargo efetivo; perde-se também a estabilidade, ficando o educador à mercê de avaliações subjetivas de gestores alinhados com o governo;
- As escolas estão sucateadas e, mesmo com as promessas de melhorias na infraestrutura, não há garantias efetivas de que as escolas que optarem pelo PEI serão aparelhadas; basta ver as atuais escolas em tempo integral que continuam carentes dos recursos e infraestrutura necessária;
- Além da perda da estabilidade, haverá um desvio de função dos professores/as, que além do período de aulas também terá de acompanhar e orientar os/as alunos/as em suas atividades extraclasse;
- Com o “novotec”, haverá uma diminuição do tempo de aula (de 50 para 45 minutos) e no número de aulas da base comum, baixando de 30 para 26 aulas, prejudicando diretamente as disciplinas de Filosofia e Sociologia, que eram obrigatórias até a Lei N° 13.415/17 do “novo ensino médio” que eliminou numa canetada o Artigo 36 da LDB que havia sido reformulado. Aliás, é bom saber que, além de Língua Portuguesa e Matemática, nenhuma disciplina é agora obrigatória, o que fragiliza ainda mais a BNCC e a formação acadêmica dos/as alunos/as da escola pública, prejudicando diretamente os jovens mais carentes.
            Contra a imposição e o autoritarismo das reformas neoliberais e neotecnicistas de João Dória, contra os projetos do “Inova Educação”, o PEI e o NOVOTEC, pela autonomia das escolas, em defesa da Filosofia e do currículo formativo que garanta de fato uma educação integral aos jovens, a APROFFESP chama os/as professores/as de Filosofia e das demais disciplinas para continuarmos a luta por uma escola pública laica, gratuita e de qualidade de verdade!

DIRETORIA DA APROFFESP (2018 – 2021)

Presidenta: Lúcia Martins Peixoto - Caieiras, SP
Vice-Presidente: Anízio Batista de Oliveira - J. Maria Estela, São Paulo, SP.
Secretário: Valmir João Schmitt - Jaraguá - São Paulo, SP
Primeiro Secretário: Alvira Soares Rêis -  V. Santa Teresa - São Paulo, SP
Tesoureiro:  Sônia Maria de Almeida – J. Vergueiro, Saúde SP
Primeiro Tesoureiro: José de Jesus Costa – Osasco, SP
Diretor de Comunicação e Propaganda: Jadir Antônio da Silva – V. Mariana, SP.
Diretor Adjunto de Comunicação e Propaganda:  Marcos R. Ferreira – J. Guarani, São Paulo, SP
Diretor de Políticas Pedagógicas: Francisco P. Gretter – Lapa, São Paulo, SP.
Diretor Adjunto de Políticas Pedagógicas:  Ivo Lima dos Santos – V. Continental, São Paulo, SP
Diretor Articulador das Ciências Humanas e Currículo: Ronaldo Gomes Neves - Diadema,  SP
Diretor de Relações Sociais e Mov. Sindical: Aldo Josias dos Santos - São Bernardo do Campo, SP
Diretor Organizativo da Capital:  Ocimar Freitas - Suzano – SP
Diretora Organizativa da Grande São Paulo:  Lúcia Ap. Denardi, São Bernardo do Campo, SP.
Diretor Organizativo do Interior: Ademir Alves de Lima - São José dos Campos, SP
Diretor Adjunto Organizador do Interior: Odair Salomão, São José do Rio Preto, SP
Diretor de Relações Acadêmicas: Marcos da Silva e Silva - Santo André, SP
Diretora Adjunta de Relações Acadêmicas: Luanda Gomes dos S. Julião – Sacomã, São Paulo, SP

segunda-feira, 6 de julho de 2020

APROFESP DEBATE O CURRÍCULO: Com o Prof. Dr. João Palma

A APROFFESP - Associação de Professores/as Filósofos/as do Estado de São Paulo convida para o debate sobre o Currículo com o Professor João Paulo Cardoso Palma Filho, Licenciado em História Natural, Pedagogia e Direito. Mestre e Doutor em Educação (Supervisão e Currículo) pela PUC/SP. Pós Doutor em Política Educacional pela Faculdade de Educação da USP. Membro do Conselho Estadual de Educação nos períodos de 1985-1994 e 2003-2006. Secretário Adjunto de Educação do Estado de São Paulo (2011-2013) Coordenador do Fórum Estadual de Educação (2013-2015). Membro Titular da Cadeira n° 32 da Academia Paulista de Educação.

LIVE que acontecerá na Sexta Feira dia 10 de Julho às 19 horas e será transmitida pela página do Facebook:   https://www.facebook.com/APROFFESPESTADUALOFICIAL/

Tendo como debatedores os professores Chico Gretter e Aldo Santos, Diretores da APROFFESP e mediação do Prof. Dr. Marcos Silva e Silva.


sexta-feira, 3 de julho de 2020

ODEIO POVOS INDÍGENAS...


Quando o então ministro da deseducação, Abraham Weintraub, disse que "odeia" a expressão "povos indígenas", fiquei estarrecido diante de tamanha incapacidade e limitação intelectual deste energúmeno.
Fiquei pensando e acabei por reler mais uma vez um livro que gosto muito, pelo conteúdo e pelo autor do mesmo que é: Depois de 500 anos QUE BRASIL QUEREMOS?, do grande teólogo e filósofo brasileiro, Leonardo Boff, publicado pela Editora Vozes, no ano 2000, justamente 500 anos depois da invasão do Brasil pelos portugueses, em 1500.
Um livro muito didático que nas suas 127 páginas apresenta, de forma cativante, inúmeras reflexões que estão na ordem do dia.
Na introdução, o autor traça, em rápidas palavras, o objetivo do livro: “A celebração dos 500 anos de Brasil, visão imposta pelos que nos colonizaram e assumida pela oficialidade pública, propicia balanços de distinta natureza, dentre as quais sobressaem os de natureza histórica. O nosso ensaio, tomando em conta a perspectiva do passado, se concentra, fundamentalmente, na visão de futuro”, e destaca a ideia de que “O presente texto, escrito na perspectiva de uma anticelebração dos quinhentos anos, procura reforçar os companheiros e companheiras de sonho, de luta e de caminhada” (páginas 11/12).
O Manifesto da Comissão Indígena 500 anos (1999) afirma que “Os conquistadores chegaram com fome de ouro e sangue, empunhando em uma das suas mãos armas e na outra a cruz, para abençoar e recomendar as almas de nossos antepassados, o que daria lugar ao desenvolvimento, ao cristianismo, à civilização e à exploração das riquezas naturais” (página 16).
Leonardo Boff denuncia toda forma de dominação, matança e destruição da natureza, nada tendo a comemorar nestes 500 anos.
O que mais me chamou atenção foi a grande sacada ao propor a reflexão sobre o Brasil em 1500, visto a partir da praia, das caravelas, ou seja, a invasão pelos portugueses, dito descobrimento, um novo mercado a ser explorado e os obstáculos destruídos, e o Brasil visto a partir do Brasil, a invenção.
Eu acrescentaria uma reflexão e balanço a partir dos três elementos apresentados pelo autor.
Então, você imagina num determinado dia, a população originária tranquila na praia, de repente avista as caravelas se aproximando e delas descendo seres estranhos ao convívio dos moradores, um verdadeiro espanto e a certeza que algo de pior estaria por acontecer.

Para o autor, “a chegada dos portugueses significou uma invasão. Eles ocuparam as terras, submeteram os indígenas e construíram não uma nação autônoma, mas um entreposto comercial e depois uma colônia para enriquecer a metrópoles”. A invasão foi uma verdadeira catástrofe, escravizando e infectando a população nativa, beirando a dizimação em escala crescente da população indígena.
Boff define que o dito descobrimento “equivaleu a um encobrimento e a um apagamento do outro, da história dos povos originários do Brasil e da África” (página 15).
Alguns autores afirmam que em 1500 existiam, no que hoje denominamos Brasil, cerca de 5 milhões de nativos e hoje temos em torno de 800 mil, portanto, além da escravidão e destruição ideológica, deflagraram uma guerra e apagamento e morte de centenas de troncos linguísticos.
Na perspectiva de Boff, o nosso país é um país de contrastes e de grandes injustiças sociais. Ou seja, mesmo considerado uma das sete economias mundiais, no tocante à distribuição e renda, o mesmo se compara com países como a Guatemala, Honduras ou Serra Leoa. “Segundo relatório do Banco Mundial, o Brasil é o país com maior concentração de renda do mundo. Os 10% mais ricos têm quase a metade da renda (48%) e os 20% mais pobres detêm apenas 2%. O 1% dos mais ricos é mais aquinhoado, proporcionalmente, que o 1% mais rico dos USA e da Inglaterra. Esses índices se deterioram nos anos 90 com a crise da economia brasileira, articulada com a crise do sistema financeiro mundial” (página 20).
O autor aprofunda o debate e o conceito de invasão ao citar o teólogo José Comblim, que afirma que o Brasil foi vítima de quatro invasões, inviabilizando na prática a criação de um projeto nacional com a devida autonomia e protagonismo do nosso povo.
A primeira invasão aconteceu no século XVI, cuja história de subordinação e matança generalizada aconteceu com os nativos no denominado período da colonização.
A segunda invasão se deu no século XIX. “Milhares de emigrantes europeus (italianos, alemães, espanhóis, poloneses, suíços e outros), sobrantes do processo de industrialização de seus países de origem, para cá foram extrojetados, aliviando a pressão revolucionária que pesava sobre as classes industriais exploradoras. Foram vistos pelos índios, negros e pobres que aqui já estavam como os novos invasores” (página 32).
A terceira invasão foi por volta dos anos 30 do século XX, vindo a se consolidar no período da ditadura militar. Tentou-se neste período de cerca de 50 anos (1930-1980), “quando criou-se um dinâmico mercado interno, a base mais sólida do desenvolvimento sustentado brasileiro” (página 33).
A quarta invasão ocorre em plena globalização e consolidação do neoliberalismo nos anos 70. “Tornamo-nos o quinto maior hospedeiro de empresas multinacionais do mundo, fazendo com que 35% de nossa indústria seja construída por filiais de empresas estrangeiras. Fomos invadidos pela racionalidade da globalização econômica e pela política do neoliberalismo, chamada de modernização, elaborada nos interesses da nova fase de acumulação do capital agora a nível mundial, pela política gerenciada pelo FMI, pelo Banco Mundial, pelos megaconglomerados e pelo grupo dos 7 países mais ricos do mundo” (página 34).
As categorias apresentadas pelo autor sedimentam importante arcabouço de crítica desde o período colonial até a nossa contemporaneidade.
“Foi a política colonial que lançou as bases estruturais da exclusão no Brasil como foram mostradas classicamente por Sérgio Buarque de Holanda com o seu A visão do paraíso, por Caio Prado Jr. com seu História da formação econômica do Brasil, por Simon Schwartzman com seu Bases do autoritarismo brasileiro e por Darcy ribeiro com o seu O povo brasileiro” (página 40).
O autor cita ainda a grande filósofa brasileira, Marilena Chauí, ”A sociedade brasileira é uma sociedade autoritária, sociedade violenta, possui uma economia predatória de recursos humanos naturais, convivendo com naturalidade com a injustiça, a desigualdade, a ausência de liberdade e com os espantosos índices de várias formas institucionalizadas-formais e informais - de extermínio físico e psíquico e de exclusão social política e cultural”, em “500 anos Cultura e política no Brasil”, na Revista Crítica de Ciências sociais, 38, 1993, 51-52, página 40.
São inúmeras citações que ajudam compreender o comportamento individual de extensão coletiva naquele espaço onde o dito ministro proferiu sua tese que não é nova na história dos dominantes e assassinos do nosso povo.
Ao citar o Manifesto Antropofágico de 1928, Boff reconhece que” O estomago brasileiro digere todas as influências externas, gestando uma cultura singular e bem nossa. A referência não é o europeu nas pessoas emblemáticas do capitão-mor Cabral e do cronista Caminha, mas os tupinambás que numa antropofagia ritual deglutiram nosso primeiro bispo Sardinha” (página 116).
A simbologia pertinente e contextualizada na permanente capacidade de resistência do nossos povos indígenas persiste e avança no processo de resistência.
Portanto, a fala do ministro, um ser abjeto e de profunda incompetência intelectual, sequer conhece a legislação brasileira e o que a constituição de 1988 expressa sobre esta temática. Assim como outras importantes publicações a saber: "A Declaração Internacional dos Direitos dos Povos Indígenas”, de 2007, é um exemplo disso. Como atesta a Constituição Federal, as sociedades indígenas se enquadram perfeitamente na primeira definição que o dicionário Houaiss dá do que é 'povo', a saber: “Conjunto de pessoas que vivem em sociedade, compartilham a mesma língua, possuem os mesmos hábitos, tradições, e estão sujeitas às mesmas leis".
De acordo com a antropóloga, "os povos indígenas no Brasil são também parte do povo brasileiro, pois nada impede que se seja membro de mais de um povo. O Brasil tem portanto o privilégio, como certa vez salientou o líder sul-africano Nelson Mandela, de contar com mais de 300 povos em seu território".
Eloy Terena, assessor jurídico da APIB, disse que declarações como a de Weintraub traduzem "um discurso dito nacionalista que é uma conduta extremamente autoritária e tende a tornar invisíveis as realidades étnicas que existem no Brasil".
O advogado lembrou que a Constituição de 1988 já reconheceu "a pluralidade étnica do país". Antes da Carta, disse Terena, "a ordem era integrar e transformar todos em um único povo, em um processo de branqueamento, e a Constituição vem e dá um outro comando, o comando de respeitar essa diversidade de povos".
"Nós, enquanto movimento indígena, usamos muito essa expressão justamente para retratar a diversidade étnica que existe no país. Nós temos 305 povos falantes de 274 línguas e ainda o registro de 114 grupos de povos isolados. Ou seja, é uma diversidade inigualável que existe no Brasil", disse Terena (https://noticias.uol.com.br/colunas/rubens-valente).
Milhares de anos os povos nativos vêm resistindo e, seguramente, vão continuar a despeito dos ditadores e milicos de plantão. Poderíamos afirmar que a figura caricata do ministro da educação, além de desastrosa atuação junto a esta pasta, se traduz num ser acuado, talvez pela própria simbologia dos tupinambás, sai fugido do país e volta ao ventre dos dominantes e malfeitores que é o imperialismo americano.
Boff conclui este livro fazendo importante registro de profunda identidade com o cantador: “Só é cantador quem traz no peito o cheiro e a cor de sua terra/ a marca de sangue de seus mortos/e a certeza de luta de seus vivos” (página 144).
A letra da música de Vital Faria ainda expressa: Pois mataram índio que matou grileiro que matou posseiro / Disse um castanheiro para um seringueiro que um estrangeiro / Roubou seu lugar.
Pela beleza da expressão cultural, concluo estas observações e me rendo ao inteiro teor da música para uma total e profunda reflexão.

Saga da Amazônia
“Era uma vez na Amazônia a mais bonita floresta
Mata verde, céu azul, a mais imensa floresta
No fundo d'água as Iaras, caboclo lendas e mágoas
E os rios puxando as águas
Papagaios, periquitos, cuidavam de suas cores
Os peixes singrando os rios, curumins cheios de amores
Sorria o jurupari, uirapuru, seu porvir
Era: Fauna, flora, frutos e flores

Toda mata tem caipora para a mata vigiar
Veio caipora de fora para a mata definhar
E trouxe dragão-de-ferro, prá comer muita madeira
E trouxe em estilo gigante, prá acabar com a capoeira

Fizeram logo o projeto sem ninguém testemunhar
Prá o dragão cortar madeira e toda mata derrubar
Se a floresta meu amigo, tivesse pé prá andar
Eu garanto, meu amigo, com o perigo não tinha ficado lá

O que se corta em segundos gasta tempo prá vingar
E o fruto que dá no cacho prá gente se alimentar?
Depois tem o passarinho, tem o ninho, tem o ar
Igarapé, rio abaixo, tem riacho e esse rio que é um mar

Mas o dragão continua a floresta devorar
E quem habita essa mata, prá onde vai se mudar???
Corre índio, seringueiro, preguiça, tamanduá
Tartaruga: Pé ligeiro, corre-corre tribo dos Kamaiura
No lugar que havia mata, hoje há perseguição
Grileiro mata posseiro só prá lhe roubar seu chão
Castanheiro, seringueiro já viraram até peão
Afora os que já morreram como ave-de-arribação
Zé de Nana tá de prova, naquele lugar tem cova
Gente enterrada no chão

Pois mataram índio que matou grileiro que matou posseiro
Disse um castanheiro para um seringueiro que um estrangeiro
Roubou seu lugar
Foi então que um violeiro chegando na região
Ficou tão penalizado que escreveu essa canção
E talvez, desesperado com tanta devastação
Pegou a primeira estrada, sem rumo, sem direção
Com os olhos cheios de água, sumiu levando essa mágoa
Dentro do seu coração
Aqui termina essa história para gente de valor
Prá gente que tem memória, muita crença, muito amor
Prá defender o que ainda resta, sem rodeio, sem aresta
Era uma vez uma floresta na Linha do Equador”
(Composição: Vital Farias)

Lutar Resistir e Vencer é Preciso!

Aldo Santos - Diretor da Aproffesp, Vice Presidente da Aproffib, Ex-vereador/sbc, militante sindical, popular e presidente do Psol de ão Bernardo Campo.

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