Estou cumprindo uma extenuante jornada de trabalho e luta; aposentado jamais.

“Fracassei em quase tudo o que tentei na vida.”
No dia 29 de fevereiro de 2012 eu me aposentei, pois a depender do governo muitos colegas morrerão com o giz na mão, sentados ou no pé da lousa na frente aos alunos, em sala de aula.
No início de março desse ano completei 40 anos de trabalho formal, sem contar os anos trabalhados na roça, no cabo da enxada, como boia fria. Trabalhei na Sociedade Beneficente do Mandaqui como auxiliar de prótese dentária, trabalhei como atendente e auxiliar de enfermagem no complexo Hospitalar do Mandaqui, e em 1985 iniciei no magistério estadual, trabalhando em Diadema; um orgulho fazer parte do plantel de lutadores com discursos e práticas de esquerda naquele município.
Foram quarenta anos de trabalho escravo urbano e sempre sonhando com a “terra prometida” igual a que Moisés sonhou. Sabemos que ela existe, porém, dificilmente chegarei a ela, todavia, sem a nossa contribuição tampouco outros muitos chegarão.
Em 1989, comecei a trabalhar na escola Pedra de Carvalho em São Bernardo do Campo, complementado a carga horária em outras unidades escolares. Passei por quase todas as escolas do município e finalmente consegui me aposentar na querida escola Pedra de Carvalho.
Participei de todas as reuniões possíveis no sindicato, de todas as greves, atos e manifestações, sempre em defesa intransigente da escola pública.
Certamente deixei alguns desafetos na rede, bem como muitos amigos, companheiros e companheiras de quinta grandeza.
Coordenei o sindicato por várias vezes, fui vereador 16 anos na cidade, sempre lecionando para não me distanciar do exercício e do contato com os educadores e educandos. Sem coragem emocional não me despedi dos alunos e professores, pois temia chorar pela dor da separação. No dia 29 de fevereiro, um ano bissexto, entreguei o requerimento feito a próprio punho, comunicando ao superior imediato que pretendia usufruir o beneficio previsto no parágrafo 22, acrescentado ao artigo 126 da Constituição Estadual pela Emenda Constitucional n° 21 de 14/02/2006, que a partir dessa data estaria me afastando das atividades docentes.
Durante esses anos convivi com inúmeros colegas que já se aposentaram, viajaram, mudaram-se, morreram e outros estão vivos. Sai do mesmo jeito que entrei na categoria do magistério, animado com os alunos, com os colegas, além da enorme bagagem de vida, com a sincera e consciente sensação do dever cumprido.
Continuo acreditando na melhoria da escola pública, laica e de qualidade e desejo a todos e todas muita saúde, e perseverança para suportar, superar e suplantar os desmandos dos governantes que anseiam privatizar a escola pública, dificultando e excluindo ainda mais do conhecimento e mercado de trabalho os filhos e filhas da classe trabalhadora.
Como educador enfrentei tudo e a todos, nem sempre com o retorno favorável. Fiz greve, enfrentei inimigos e adversários, enfrentei e apanhei da polícia, fui preso, espancado, incompreendido, xingado, acusado e condenado. Contudo, como dizia Darcy Ribeiro:
"Fracassei em tudo o que tentei na vida.
Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui.
Tentei salvar os índios, não consegui.
Tentei fazer uma universidade séria e fracassei.
Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei.
Mas os fracassos são minhas vitórias.
Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu"

Continuarei construindo nossa utopia e sempre na luta, enquanto tiver energia, pois como afirma o poeta:
“De tudo ficam três coisas...
A certeza de que estamos começando...
A certeza de que é preciso continuar...
A certeza de que podemos ser interrompidos
antes de terminar...
Façamos da interrupção um caminho novo...
Da queda, um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro!”
(Fernando Sabino)


Você me encontrará no sindicato dos professores, nas ocupações de terra, na sede e nas reuniões do Psol, ou através do telefone (11) 8250-5385, email:aldosantos@terra.com.br, ou ainda no meu blog: http://professoraldosantos.blogspot.com.br/
Estou cumprindo uma extenuante jornada de trabalho e luta; aposentado jamais.

Chegar à terra do socialismo é preciso!!!

Aldo Santos. Ex-vereador, coordenador da Apeoesp-sbc, Presidente da Associação dos Professores de Filosofia e filósofos do Estado de São Paulo, , coordenador da corrente política TLS, militante do Psol.

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