Dialética virtual


DIALÉTICA VIRTUAL

“Internet deve ser um meio de comunicação entre os povos que contribua à paz mundial e que o principal objetiva da alta tecnologia seja melhorar o nível de vida das pessoas”.

(Larry Ellison)

Ao pesquisar a história da Internet, vemos que a rede mundial de computadores, tal como a conhecemos hoje, surgiu no cenário da Guerra Fria. Foi criada com objetivos militares, como forma de as forças armadas norte-americanas manterem as comunicações e se prevenirem de ataques inimigos contra os meios de comunicação convencionais.

Embora a Internet, inicialmente, possuísse um propósito claramente militar, nas décadas de 1970 e 1980, foi um importante meio de comunicação acadêmico, possibilitando a estudantes e professores universitários, principalmente nos Estados Unidos, trocar informações, intercambiar ideias, conhecimentos, mensagens e descobertas através das linhas dessa invenção.

Mas, foi somente a partir do ano de 1990, que a Internet começou a alcançar a população em geral. Foi nesse ano que o engenheiro inglês Tim Bernes-Lee desenvolveu a Word Wide Web – o conhecido “WWW”. Com as facilidades desse sistema, a rede deixou de ser uma ferramenta restrita apenas a cientistas e militares. Através do “mecanismo” de endereços e links (do inglês: ligação), praticamente qualquer pessoa tem a possibilidade de utilizar a Internet e saltar de uma página à outra.

A web permite que um usuário, com um mínimo de recursos econômicos, monte diversos perfis no Orkut, blogs, no Facebook, no MySpace, no Twitter e, com isso, se comunique com milhões de pessoas em todo o mundo.

Na rede, o indivíduo comum não é apenas um mero receptor – como no rádio e na TV – mas é um emissor e agente efetivo no processo comunicativo. Os blogs (diário pessoal ou informativo eletrônico interativo) proporcionam o debate entre autor e leitor, favorecendo uma maior paridade comunicativa entre emissor e receptor, permitindo, inclusive, que o indivíduo comum possa ser atuante na participação da Rede. Mas é preciso observar que essa expressão se dá, muitas vezes, de uma maneira padronizada, ou seja, o “eu”, na grande maioria das vezes, já é um“eu” adequado a uma linguagem comportamental homogeneizada. Com isso, não estamos desmerecendo o valor dos sites de relacionamentos, mas chamando a atenção para não tomarmos a Internet como uma ferramenta totalmente libertadora e promotora da emancipação do indivíduo. Isso quer dizer que a rede apresenta duas situações: de um lado, é um mecanismo de controle das massas; e, de outro, parece se colocar na oposição da ordem estabelecida.

Assim, podemos levantar as seguintes questões: como lidar, então, com a Internet, de forma que ela possa ser uma ferramenta de conquistas importantes no avanço das novas tecnologias, das relações humanas, da qualidade de vida, preservação do meio ambiente, criação de políticas públicas, para a construção da cidadania? E, ainda, diante de seu caráter padronizador, os riscos que ela oferece, quando usada para invadir a privacidade dos cidadãos, dos órgãos públicos, causando transtornos, prejuízos incalculáveis, como devemos proceder?

O Critical Art Ensemble (formado por artistas e pensadores de esquerda) sugere uma interseção entre Arte, Teoria Crítica, tecnologia e política radical, pois para ele, “a nova geografia é uma geografia política e cultural que deve se firmar nesse espaço eletrônico”. (Distúrbio eletrônico, p. 11). E, para que esse enfrentamento obtenha êxito, propõe o uso subversivo das novas tecnologias, ao afirmar: “A autoridade que se localiza no campo eletrônico deve ser combatida através da resistência eletrônica [...] A resistência ao poder nômade deve se dar no ciberespaço e não no espaço físico”. E conclui: “O mundo eletrônico [...] não está de forma alguma estabelecido, e está na hora de tirar vantagem desta fluidez através da criação. Antes que nos reste apenas a crítica como arma”. (Distúrbio eletrônico, p. 33).

Portanto, se nos dias atuais, é impossível pensar em viver sem a Internet, porque ela tomou parte dos lares de pessoas do mundo todo, fazendo-se presente também nas escolas, faculdades, empresas e diversos locais, possibilitando acesso às informações, é extremamente importante o seu uso com responsabilidade social e compromisso com a nova ordem mundial para a construção da paz, da justiça e do bem viver.

Internautas, unamo-nos! Usemos a Internet de forma propositiva, ou continuemos na retoma do isolamento, espalhando só idiotices, que nada acrescentam para que a humanidade seja melhor do que é.



Ivo Lima
Professor de Filosofia e Escritor
Autor dos livros: O recheio que faltava em sua vida
A direção da vida
Membro da Associação de professores de Filosofia do Estado de São Paulo - APROFFESP.

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